Domingo, 26 de Julho de 1998

André Maranha - Nacht und traume

Nacht und traume
por andré maranha
para patrícia machás, andré maranha e david maranha
CD, 1998 ed. Ananana (portugal)

André Maranha, membro fundador dos Osso Exótico, concebe "Nacht Und Träume" de uma forma singular. O disco compõe-se de três andamentos, muito diferentes entre si: no primeiro, um piano repete suavemente as mesmas notas, evocando o "Nacht Und Träume" de Schubert, intervaladas por períodos crescentes de silêncio. O efeito obtido oscila entre o repousante e o hipnótico; no segundo, duas vozes (masculina e feminina) procedem à leitura desencontrada de textos de Beckett, simplesmente acompanhados por um metrónomo; finalmente, no terceiro, repete-se o procedimento anterior, reforçando-se o acompanhamento instrumental com o piano e o saxofone barítono. A ilusão a que me referia no princípio deste texto reside na atitude despretensiosa, quase desprendida, com que este disco foi construído. De facto, a simplicida-de não pode ser confundida com superficialidade ou com o irrisório.Trata-se de uma pequena homenagem, embora profunda, a um dos mais significativos escritores deste século. A forma imaginativa como as palavras são veiculadas e a aparente reunião aleatória de Schubert e Beckett estabelecem uma significativa diferença com outras propostas afins marcadas pelo conformismo. Veja-se o caso do disco de Os Poetas, "Entre Nós e as Palavras", onde belíssimos poemas são "afogados" por um acompanha-mento musical delicodoce e acetinado, característico da actividade de Rodrigo Leão.Discos assim só fazem crescer o desejo de que experiências como esta se repitam. E, já agora, que durem um pouco mais... [Monitor]Of course we all remember Andre, member of Osso Exotico, who combine serious composing with maybe (but who knows, maybe not) electro-acoustic music derived from what could be vaguely identified as industrial music. But that's ancient theory, if we closely examine the three tracks on this CD. The first piece (hey, I hope you don't mind me not repeating the titles, which are way too long, and all in Portugese anyway) is the longest - a solo piano piece that, if I understand the cover correctly, is based on a title by Franz Schubert. But played slowly, withut much emotion. Very sober. Then the second piece is a woodblock kinda sound with spoken word - and then the third track combines what we heard before. This is probably crammed full with loads of metamorphical meaning which is well beyond me. To enjoy this is easy, as it's calm, relaxing, and Oh So Serious academically composed music.

Number 132
Frans de Waard

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