
andré maranha, antónio forte, bernardo devlin,david maranha
LP, 1989 ed. Multinational (Portugal) MN1
LP, 1989 ed. Multinational (Portugal) MN1
Lunar Circus Maximus excerpt by davidmaranha
Excellent first vinyl released by this fantastic ensemble, mixed drones with experimental-avant garde. The album was recorded on the 18th June 1990 in a testing room of the Geotechnical Department by the occasion of the advanced study institute on rockfill structures organized by NATO ( NATO ASI on advances in Rockfil Structures) and sponsored by Laboratório Nacional Civil with the participation of scientists of nineteen countries. It was released on vinyl by Multinational (MN 1) in 1990.
The Thing on the Door Step
Dando seguimento à linha de orientação inaugurada no post anterior, os Discos Com Sono afastam-se ainda mais da luz e descem neste post ao inferno do cripto-industrial lusitano, com a primeira e misteriosa edição dos Osso Exótico. Para acentuar o lado subterrâneo de tudo isto, refira-se que o ripanço foi criminosamente roubado ao lovecraftiano blog The Thing on the Doorstep, que parece ter tido acesso a uma cópia deste disco fugidio.
Os Osso Exótico dos primórdios soarão atípicos aos fãs dos prolongados drones que a banda tem produzido nos últimos 15 anos. Mercê da porradaria metálica que António Forte dava nos bidões e da voz de mauzão de Bernardo Devlin, a coisa aproximava-se de uma versão mais contemplativa dos Neubauten ou dos Coil na época Scatology, comportando-se o colectivo ao vivo como uma banda quasi-rock, de guitarras em punho, baquetas na mão, microfone no tripé e outros maneirismos vergonhosamente ultrapassados para quem quer fazer música de vanguarda. Ainda assim, o disco aponta já noutras direcções e esforça-se por escapar ao previsível, abrindo com um instrumental que ocupa todo o lado A e por onde vai desfilando uma imensa panóplia de obscuras intervenções sonoras sobre um motivo em loop quase constante que lembra um comboio em andamento. Virando o disco, o registo muda para canção e o Devlin vocifera acerca da Nova Idade da Pedra ao ritmo de chicotadas e pancadaria metálica. Seguem-se quase dez minutos de guitarras em feedback sobre grilos em alegre cantoria, terminando com mais uma semi-canção que inclui Devlin aos berros + pancadaria em bidões + feedback & distorção.
Mas, se os clichés industriais da voz endemoninhada, percussão metálica e guitarras aos guinchos estão bem presentes, a verdade é que a banda tem o discernimento para fugir ao mau gosto reinante em 99% dos projectos tardo-industriais. A identidade ossoexótica, ainda que algo incipiente, mostra-se já ao mundo como uma unidade de música exploratória que escapa à catalogação fácil e que segue alegremente caminhos novos sem se preocupar demasiado com géneros ou rótulos.
Miguel Santos distribuiu eficazmente o disco pela Europa fora e os Osso Exótico tornam-se uma das primeiras bandas portuguesas com verdadeira (ainda que microscópica) projecção internacional. Dos poucos exemplares que por cá se venderam, nunca vi nenhum. Quem tenha e quiser vender é contactar-me nos comentários, pago o que quiserem até 10 euros.
Discos com Sono
Excellent first vinyl released by this fantastic ensemble, mixed drones with experimental-avant garde. The album was recorded on the 18th June 1990 in a testing room of the Geotechnical Department by the occasion of the advanced study institute on rockfill structures organized by NATO ( NATO ASI on advances in Rockfil Structures) and sponsored by Laboratório Nacional Civil with the participation of scientists of nineteen countries. It was released on vinyl by Multinational (MN 1) in 1990.
The Thing on the Door Step
Dando seguimento à linha de orientação inaugurada no post anterior, os Discos Com Sono afastam-se ainda mais da luz e descem neste post ao inferno do cripto-industrial lusitano, com a primeira e misteriosa edição dos Osso Exótico. Para acentuar o lado subterrâneo de tudo isto, refira-se que o ripanço foi criminosamente roubado ao lovecraftiano blog The Thing on the Doorstep, que parece ter tido acesso a uma cópia deste disco fugidio.
Os Osso Exótico dos primórdios soarão atípicos aos fãs dos prolongados drones que a banda tem produzido nos últimos 15 anos. Mercê da porradaria metálica que António Forte dava nos bidões e da voz de mauzão de Bernardo Devlin, a coisa aproximava-se de uma versão mais contemplativa dos Neubauten ou dos Coil na época Scatology, comportando-se o colectivo ao vivo como uma banda quasi-rock, de guitarras em punho, baquetas na mão, microfone no tripé e outros maneirismos vergonhosamente ultrapassados para quem quer fazer música de vanguarda. Ainda assim, o disco aponta já noutras direcções e esforça-se por escapar ao previsível, abrindo com um instrumental que ocupa todo o lado A e por onde vai desfilando uma imensa panóplia de obscuras intervenções sonoras sobre um motivo em loop quase constante que lembra um comboio em andamento. Virando o disco, o registo muda para canção e o Devlin vocifera acerca da Nova Idade da Pedra ao ritmo de chicotadas e pancadaria metálica. Seguem-se quase dez minutos de guitarras em feedback sobre grilos em alegre cantoria, terminando com mais uma semi-canção que inclui Devlin aos berros + pancadaria em bidões + feedback & distorção.
Mas, se os clichés industriais da voz endemoninhada, percussão metálica e guitarras aos guinchos estão bem presentes, a verdade é que a banda tem o discernimento para fugir ao mau gosto reinante em 99% dos projectos tardo-industriais. A identidade ossoexótica, ainda que algo incipiente, mostra-se já ao mundo como uma unidade de música exploratória que escapa à catalogação fácil e que segue alegremente caminhos novos sem se preocupar demasiado com géneros ou rótulos.
Miguel Santos distribuiu eficazmente o disco pela Europa fora e os Osso Exótico tornam-se uma das primeiras bandas portuguesas com verdadeira (ainda que microscópica) projecção internacional. Dos poucos exemplares que por cá se venderam, nunca vi nenhum. Quem tenha e quiser vender é contactar-me nos comentários, pago o que quiserem até 10 euros.
Discos com Sono